10 melhores livros da Taverna Fim do Mundo em 2009
No total, 38 livros foram resenhados na Taverna Fim do Mundo em 2009; apenas um deles não foi lido, incluído mais como curiosidade.
Atualizar o blog este ano foi uma tarefa de grande consumo de tempo, porém muito gratificante. Por mais que eu aprecie muitos desses livros de diferentes maneiras, gostaria de lembrar os dez que mais me marcaram.
10 – The Forever War, de Joe Haldeman
História escrita por um veterano da Guerra do Vietnã que utiliza a dilatação do tempo como uma metáfora para o distanciamento sentido pelos soldados americanos quando retornavam a um país que não mais reconheciam, para uma população que não os compreendia. O protagonista se vê em uma guerra sem sentido por milhares de anos contra seres extraterrestres e muito em breve se desassocia completamente do planeta que deveria estar protegendo, encontrando muito mais sentido em um conflito armado sem fim do que no mundo que deixou para trás. Recentemente editado no Brasil como Guerra Sem Fim, porém desconheço a qualidade da tradução.
Uma curta história sobre um mundo pós-apocalíptico diferente, onde praticamente toda a humanidade foi destruída por algum tipo de catástrofe que não é muito bem explicitado. Um grupo de sobreviventes vai em rumo ao Bar None, o último boteco da Terra, e em meio à história há belas descrições de sabores de diferentes bebidas, que trazem à tona memórias da vida e do mundo que desapareceu. A própria atmosfera do livro é de embriaguez perpétua, repleto de saudades e saudosismos. Como se no final dos tempos, tudo o que resta para a humanidade fazer é pedir mais uma dose e ficar lembrando aquele tempo bom que não volta mais.
8 – Old Man’s War; de John Scalzi
John Scalzi é um dos expoentes da ficção-científica atual, um nome que você provavelmente vai ouvir bastante em uns 5 ou 6 anos, com a inevitável série de filmes que virá. Old Man’s War foi o livro que lhe deu grande repercussão e narra a história de um futuro não muito distante, quando a Terra se tornou uma periferia de um enorme império humano e os idosos recebem a opção aos 90 anos de se alistar para proteger a espécie, supostamente recebendo algum tipo de aprimoramento físico. A maneira como isso é conduzida por Scalzi é muito interessante dosando as informações ao leitor de forma bem-humorada. Foi editado recentemente em Portugal com o nome A Guerra é para os Velhos. Nada ainda em Terras Brasilis.
7 – The Borribles Go For Broke; por Michael de Larrabeiti
Segundo livro desta clássica série infantojuvenil inglesa, Go For Broke é um livro para adolescentes que não os trata como paspalhos, apresentando alguns personagens extremamente intrigantes, com uma forte tensão. Este segundo livro foi o melhor da série. Estou terminando o último, mas me parece mais do mesmo, como se o autor seguisse uma fórmula batida, com grandes momentos de tédio. Sugiro aos interessados que leiam o primeiro, que já é muito bom, mas o segundo pode ser até mesmo lido à parte. Quanto ao terceiro, só os mais fervorosos amantes dos Borribles devem prosseguir.
6 – Contos Fantásticos no Labirinto de Borges; organizado por Braulio Tavares
Uma obra que traz uma coletânea de contos “borgianos”, que influenciaram ou foram discutidos pelo escritor argentino. Este livro, única entrada nacional nesta relação, traz também um excelente posfácio do organizador Braulio Tavares, que discute diversos aspectos reincidentes na obra de Borges de forma muito intrigante. Os contos vão do curioso ao excelente, diversos contos policiais, de ficção-científica e fantasia, e fornecem uma maneira muito criativa e pouco utilizada de se estudar a obra de um escritor: analisar o que ele lia ao invés daquilo que ele escrevia.
5 – Man-Eaters of Kumaon; de Jim Corbett
Diário do caçador de tigres e leopardos Jim Corbett. O autor transmite uma sensação pouco conhecida pelos urbanóides, uma sensação muito real de terror primal contra esses gigantescos predadores felinos, particularmente quando eles tomavam gosto pela carne humana. Corbett mostra ao mesmo tempo uma preocupação com a população que se tornava alvo dos “devoradores de homens” quanto um grande respeito pelos animais que caçava, em uma época na qual a expansão da população indiana diminuía os habitats e a chance de sobrevivência dos grandes felinos. O livro é dividido em diversas caçadas e possui até mesmo alguns momentos bucólicos, como quando o autor relembra o primeiro encontro com seu cão de caça.
4 – How to Talk About Books You Haven’t Read; de Pierre Bayard
Um ensaio divertido e lúcido sobre a literatura e a maneira como nos relacionamos com os livros. Bayard mostra como, dada a quantidade de livros produzida pela humanidade, até o maior dos letrados leu apenas uma parte ínfima da produção da humanidade e esse fato não deve ser tratado com o complexo de culpa tão comum em círculos acadêmicos ou intelectuais. O autor traz diversos exemplos de escritores ou de personagens literários mostrando como falar com propriedade sobre livros que não lemos ou esquecemos, em um tom irônico de manual de autoajuda, trazendo até frases de grandes arautos da não-leitura, como Oscar Wilde.
3 – Codex Seraphinianus; de Luigi Serafini
Um livro criado por um artista plástico italiano que é inteiramente escrito em um idioma incompreensível, com um alfabeto incompreensível, com diversas imagens nonsense. Como uma enciclopédia de um universo paralelo que atravessou as rachaduras da realidade até cair no nosso. As imagens lembram algo que Leonardo da Vinci faria se ele fosse um hippie psicodélico nos anos 60. São máquinas com pés giratórios, casais copulando que se transmutam em um crocodilo, descrições da flora, fauna, costumes e tudo o que pode ser associado a uma louca civilização. Apenas alguns exemplares de colecionador restaram e o custo é bem salgado, mas diversas imagens podem ser encontradas na internet.
Esta obra do quadrinista Robert Crumb entrou sorrateira na Taverna, apenas um dia antes da criação dessa lista, mas não foi sem motivo que chegou à segunda posição. O quadrinista conseguiu criar uma belíssima releitura do antigo testamento bíblico sem ocultar ou modificar uma única linha do texto original. As imagens de Crumb resgatam a dimensão humana desse texto, que o próprio ilustrador classifica como “a palavra dos homens e não de Deus”, e uma das bases fundamentais da civilização ocidental. Uma homenagem belíssima à saga humana pela busca de sentido à sua existência.
1 – Physics of the Impossible; de Michio Kaku
Um livro magnífico para interessados por ficção científica ou para qualquer um que se interesse pelos recentes avanços da física quântica ou qualquer pessoa que saiba ler. Michio Kaku, um dos criadores da teoria de supercordas, é um exímio tradutor de conceitos científicos que precisam de uma vida de estudo para serem compreendidos a algo que um leigo possa entender. Kaku explica como campos gravitacionais, naves, viagens no tempo ou armas lasers poderiam ser fabricadas, ou não poderiam, dado a nossa presente tecnologia ou conhecimentos sobre a ciência, gerando uma sensação de grande maravilhamento com a nossa busca por compreender um universo que os pesquisadores mostram ser cada vez mais estranho.


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