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Livro: Ponto Quarenta; de Roger Franchini

11/05/2010

PontoQuarenta

Romance independente feito por policial civil mostra bastidores e mentalidade da corporação

Ponto Quarenta tem o subtítulo “A polícia civil de São Paulo para leigos” e ao acompanhar a carreira de um investigador chamado Vital revela um submundo de corrupção de grande parte da corporação enquanto os não corruptos –ou menos corruptos- tentam trabalhar sem se vender.

O leitor é apresentado a um mundo no qual não se move uma palha a menos que 1) tenha dinheiro envolvido 2) possa chamar a atenção da imprensa 3) seja pressionado por alguém acima na cadeia alimentar do poder.

E segue-se batidas policiais em ponto de tráfico que nada mais são que assaltos; escrivãos que só se preocupam com o campeonato interno de paciência no computador; veteranos encostados que só dormem enquanto esperam a aposentadoria.

O livro mostra a dificuldade que Vital encontra em conciliar a faculdade de direito com plantões de madrugada e me parece refletir muitas dificuldades encontradas pelo autor. Achei o livro muito bem escrito, com momentos de grande tensão e humor, além de um tom sincero, direto e de no-bullshit. Entre os momentos mais marcantes na minha opinião está um curioso encontro do protagonista com um embriagado Rubem Fonseca durante a madrugada em uma delegacia. Encontro que revela uma certa relação de amor e ódio de Franchini com o escritor policial.

O romance perdeu um pouco a força para mim quando Vital foi promovido à alta roda do poder, participando até de encontros com o governador e outros poderosos nos quais milhões eram negociados. Mesmo que não tenha ilusões de que esse tipo de encontro deve ser mesmo um ninho de cobras, esses personagens Todos Poderosos são retratados de uma forma esteriotipada que não encontramos no restante da obra. Imagino que por se estender além da experiência pessoal ao autor, que é o que dá força à obra.

Ponto Quarenta é mais um daqueles livros que não possuem o “aparato de legitimação”. Foi publicado de forma independente pelo autor (sequer tem ISBN) e é vendido apenas pela internet no site do autor, mas não deixe se enganar, pois é um romance que vale a pena ser considerado por leitores que busquem um romance policial mais realista, sem detetives noir. Também acho justo o preço de cerca de 20 reais (livro mais despesas de envio). Quem quiser, o primeiro capítulo também está disponível para leitura no mesmo site.

Agradeço ao comparsa Thiago Peres por ter me emprestado o exemplar.

o bom: criativo; sincero; bem escrito; engraçado; um vislumbre interessante no submundo da polícia paulistana

o ruim: história perde um pouco de fôlego na reta final; edição um pouco frágil, com páginas que descolaram

links [site do autor][página de venda]

5 Comentários leave one →
  1. Cristiano Fontes Link Permanente
    12/05/2010 12:42

    2 comentários não relacionados ao tópico:

    1) Deveria haver na Taverna um link “fale com o taverneiro” – tinha a impressão que até existia, mas não consigo encontrar mais (potencialmente evidencia minha baixa capacidade de navegação na internet… ou falta de paciência mesmo!)

    2) Terminei de ler “Good Omens” (ando lendo no avião de volta para SP) – não li Stardust, mas achei mais emocionante que Neverwhere ou American Gods, apesar de haver um pouco da enrolação típica do Gaiman. No final, grandes sacadas como sempre que valem toda a leitura.

    Abraços

    • 12/05/2010 16:03

      Esse link de “fale com o taverneiro” é uma ideia que eu estou estudando. Estou para implementar umas mudanças em breve na taverna e aí acho que incluo isso.

      E o que achou de Good Omens? Está na minha lista de leitura.

      • Cristiano Fontes Link Permanente
        14/05/2010 15:53

        Longe de conseguir fazer uma resenha como as suas, mas vou tentar ser extenso:

        Segue a linha de várias histórias paralelas (como Stardust) que convergem no clímax. Nem todas são interessantes, o que acaba fazendo você querer pular algumas páginas, só para voltar no seu grupo de personagens preferidos. Não conheço a linha do Terry Pratchett, mas o livro tem muita cara do Gaiman.

        A história em si é muito boa, mas como tudo culmina em um ponto específico do espaço e tempo, tudo antes disso fica muito “devagar”, o que ao mesmo tempo faz com que você leia para chegar logo no clímax (o Armageddon).

        Gostei particularmente de como ele joga com o confronto do céu vs. inferno: céu achando que é planejado que ele vai ganhar, o inferno achando que também pode ganhar, e o anjo e o demônio na Terra sabendo de tudo isso, mas de certa forma querendo que nada aconteça e tudo continue como está (na contra-capa do livro já fala – “eles estão há muito tempo na Terra já”). O diálogo final dos dois junto com seus “chefes” (todos os 4 no mesmo diálogo) é espetacular e vale a leitura inteira.

        E no cerne de tudo, um Anticristo que nunca soube quem é, e as fitas cassete que se transformam em fitas do Queen, quando tocadas por muitas e mutias vezes. Neil Gaiman mais uma vez satisfaz sua clientela fiel… mesmo o livro tendo sido um de seus primeiros (1990!!!)

  2. alisson Link Permanente
    07/01/2011 11:09

    Estive lendo o 1° capitulo do livro Ponto quarenta e gostei muito
    o problema é que não o acho para comprar, o site do Roger esta fora do ar
    sem links e nada!!! estou na batalha ja a 23 dias atraz do livro, se alguem tiver o livro em DOC. ou PDF e quiser me vender eu compro, pois me interessei no livro.

    Alisson Saldanha
    Delegado de Polícia Civil RS

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