Artigo: ET, telefone, nossa casa
Uma notícia que deu uma ronda pela mídia nas semanas anteriores foi o alerta que Stephen Hawking fez de que os seres humanos deveriam parar com seus esforços ativos de busca de vida extraterrestre. Segundo o físico, o encontro entre a nossa espécie com outra tecnologicamente muito avançada poderia ter um resultado semelhante para nós do que as civilizações pré-colombianas tiveram com a colonização da América.
A notícia foi transmitida com diferentes níveis de seriedade (o povo do Jornal da Globo não resistiu em dar aquele sorrisinho patenteado de fait diver), e poucos apresentaram contra argumentos a Hawkings. Uma posição que achei no mínimo intrigante é a do diretor do Instituto Canadense e Ética e Tecnologias Emergentes, George Dvorsky. Apresento aqui alguns de seus argumentos que, grosso modo, dizem que nós não temos absolutamente nada a oferecer a uma civilização capaz de viajar grandes distâncias estelares.
Uma civilização capaz de cruzar milhares de anos-luz pelo espaço provavelmente já atingiu singularidade tecnológica e possui um nanomontador de moléculas, ou seja, é capaz de criar qualquer substância apenas despendendo energia. Portanto, a única coisa que temos a oferecer é o nosso Sol, que poderia ter sua energia “minerada” com uma esfera de Dyson, ou, no máximo, poderiam transformar os gigantes gasosos como Saturno e Júpiter em supercomputadores. Nada de churrasquinho de gente pelo menos.
Além do mais os seres humanos já fizeram bastante baderna com ondas de rádio nos últimos 80 anos, portanto de nada adianta ficar em silêncio agora.
Seguindo o paradoxo de Fermi, Dvorsky parte do princípio de que o universo pode ter sido colonizado e recolonizado diversas vezes, portanto se os ETs quisessem deixar no nosso sistema solar uma sonda destruidora a ser ativada ao primeiro contato de rádio, eles teriam.
É claro que a organização de Dvorsky faz enquetes do tipo “para qual animal você mais gostaria de ter a sua consciência transportada na singularidade” (os golfinhos venceram), mas os conceitos científicos por trás de sua argumentação são fascinantes. Veja aqui o seu artigo inteiro.
Solari, taverneiro

