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Livro: Celestial Matters; de Richard Garfinkle

22/07/2010

CelestialMatters2

Uma ficção científica que segue astronomia de Ptolomeu, física e biologia de Aristóteles e também o taoísmo

Celestial Matters é um caso interessante de ficção científica, pois mostra que não apenas os preceitos da ciência moderna podem ser utilizados para se enquadrar no gênero. A história se passa em um mundo no qual o império de Alexandre o Grande jamais caiu e muito em breve se viu numa guerra constante com a China que durou milhares de anos.

A narrativa seque um capitão helênico chamado Aias que é incumbido de viajar até o Sol e roubar um pedaço da chama divina para destruir a capital dos seus adversários, o Reino do Meio. O interessante é que o espaço que a nave Chandra’s Tear –que foi esculpida de um pedaço da Lua- encontra não é aquele que estamos acostumados, mas regidos pela astronomia de Ptolomeu. Ou seja, nada de vácuo e sim diversas esferas celestes girando em estruturas de cristal indestrutível. As naves são movimentadas por canhões que criam túneis de ar mais rarefeito e a tripulação é alimentada por fazendas de geração espontânea de animais; seguindo as teorias aristotélicas.

E esse mundo ricamente construído dobra de tamanho quando o leitor descobre que ele também é regido pela ciência e alquimia taoísta, com linhas de fluxo de chi, transmutações de materiais e curas pela acupuntura.

Os melhores momentos são justamente quando há um embate entre essas duas formas díspares de ver o mundo. A ciência grega é baseada em formas e estruturas, enquanto a chinesa pensa em interações e transformações e a única forma de um lado compreender o outro é esquecer todos os seus preceitos e tentar aprender com a ingenuidade e abertura de uma criança.

Dessa forma, Richard Garfinkle cria uma bela alegoria sobre as dificuldades de se compreender outras culturas e é refrescante ler um romance de ficção científica que trate não de conquista ou de apenas um indivíduo conhecendo novas formas de pensar, mas da interação de duas visões de mundo na qual a outra não faz nenhum sentido. Celestial Matters metaforiza bastante a Guerra Fria devido à semelhança entre o fogo solar e a bomba atômica.

Os personagens são intrigantes, como a guarda-costa espartana, o navegador indiano budista, o pirocientista persa que desenvolveu o método de capturar um pedaço do Sol e o próprio capitão Aias, que narra a história. Só achei o final um pouco fraco e certinho demais para uma história que lida com tantos pontos de vista ambíguos.

Este livro é um pouco raro e tive que comprar usado depois de atazanar parentes e amigos no exterior para vasculhar livrarias em busca de um exemplar. Celestial Matters é um belo exemplo de algo que eu acho que a ficção científica faz de melhor: criar um universo único e diferente para no final poder falar sobre o nosso.

gostei: criativo tanto na forma quanto nos temas que trata; personagens bem escritos; boas cenas de ação

não gostei: final não fez juz ao restante

editora: tor ISBN: 978-0312863487

links[wikipedia][amazon][google books]

3 Comentários leave one →
  1. 22/07/2010 15:04

    Nossa, fiquei babando de vontade de ler! Rola aquela troca de reféns depois da volta às aulas?

    grande abraço.

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