Filme: Assault on Precinct 13; de 1976

Assault on Precinct 13 foi o primeiro filme no qual John Carpenter mostrou o estilo que se tornaria a sua marca registrada. O longa foi refilmado em 2005 com Ethan Hawke e Laurence Fishburn no elenco e, apesar de ter gostado, o original é imbatível. Carpenter tinha feito apenas a ficção cientifica satírica Dark Star antes de Assault e sua carreira só decolou com Halloween.
O filme acompanha a última noite de um distrito desativado em um violento bairro de gangues de Los Angeles. Mas quando um homem que matou um membro da gangue Street Thunders chega durante a noite, os bandidos fazem uma jura de matar todas as pessoas dentro do distrito.
O interessante de Assault on Precinct 13 é que ele possui influências de filmes de zumbis de Romero e faroestes, como o próprio Carpenter já disse. Os bandidos são desumanizados, verdadeiras máquinas de matar que avançam sem parar, além de demonstrar falta de inteligência a ponto de terem dificuldades em atravessar as persianas.
Os diálogos, escritos também por Carpenter, são excelentes, brincando com clichês do gênero ao mesmo tempo em que fazem com que o espectador simpatize com cada personagem. Seja o policial que volta ao bairro no qual cresceu ou o criminoso carismático que quase sempre responde com “tem um cigarro aí”. E no quesito involuntariamente cômico, temos a secretária que lança olhares sedutores a torto e direito, que arrancou muitas risadas dos comparsas que vieram ver o filme aqui em casa.
E se tratando de John Carpenter, vale dar uma conferida na trilha sonora com o sintetizador patenteado do diretor. Até o comparsa mais novo de vinte e tantos anos que veio assistir saiu da sessão cantarolando.
O policial mais bem-humorado de Los Angeles vai ter uma noite um pouco mais agitada do que o esperado.
Para esses sujeitos, nada é mais divertido do que passear com os amigos mirando com um fuzil as pessoas da rua.
E é claro que aquele condenado ao corredor da morte que matou oito pessoas vai parar também no distrito.
Essa menininha não podia ter achado hora pior para trocar o sorvete por um de outro sabor.
Por algum motivo, os vilões tinham grande dificuldade em enfrentar as persianas.
Nada como relaxar entre as invasões de bandidos sanguinários com um cigarro e uma conversa estimulante com boa companhia. A gente reviu essa cena umas quatro vezes.
O tenente Ethan Bishop foi um dos primeiros heróis negros de ação fora do blacksploitation.


Os clichês de Carpenter são sempre um deleite e sua bem-vinda mistura de violência com humor negro me lembram ‘Zombieland’, do ano passado, que foi bem divertido. E esse poster com a tagzinha “A white-hot night of hate” já me teria feito entrar no cinema.