Filme: Battle Royale; de 2000

Num futuro não muito distante, o Japão tem uma genial ideia para controlar o seu problema de delinquência juvenil: Sortear uma turma de colegial por ano para que se matem em uma ilha até que apenas um sobreviva.
E se por acaso a premissa de Battle Royale não faz sentido pra você, é porque ela não faz mesmo. Por que diabos botar uma classe pra se matar numa ilha vai entusiasmar os 800 mil jovens que boicotaram a escola a ficarem na linha? Se continuarem boicotando nunca vão ser escolhidos para o BR, enfim.
Mas premissas nonsense à parte, o filme e o romance de mesmo nome tacam o dedo na ferida de um assunto espinhoso. O Japão é um país com uma relação de amor e ódio com a juventude. Ele se divide entre a preservação da sua tradição e a absorção cultural do novo. É uma nação que tem ao mesmo tempo fascínio e medo da sua juventude. Característica que o Batoru Rowaiaru exagera ao nível de distopia.
Cada aluno tem um colar explosivo e recebe uma mochila com armas aleatórias, que vão de panelas a submetralhadoras. São formadas diversas alianças temporárias e enquanto alguns personagens fogem ou tentam se conciliar com os colegas, outros começam a levar bem a sério o jogo e saem perseguindo os demais. Eu confesso que me imaginei nessa situação com a minha própria classe do colegial. Imaginando quem tentaria fugir, quem tentaria ajudar, quem seria o sádico enrustido que ia até curtir caçar os colegas…
Uma interpretação excepcional aqui é a do professor Kitano, interpretado por Takeshi Kitano. Ele era professor da classe escolhida, e o início do filme é justamente ele esperando para iniciar a aula em uma classe vazia. Kitano mostra muito bem um “desespero enrustido” que eu comecei a associar muito com um lado do Japão depois de cobrir notícias sobre o país durante um tempo.
É também muito interessante o depoimento do diretor Kinji Fukasaku sobre o que o atraiu no romance, o que pode ser indício do nervo cultural que o ele atingiu para alcançar um sucesso tão tremendo no Japão. Ele disse que o Battle Royale o lembrou de quando tinha quinze anos durante a Segunda Guerra e suas aulas foram canceladas, e a classe dirigida a trabalhar em uma fábrica de munições.
Certa vez eles foram atacados por artilharia e os alunos se salvaram “tomando cobertura debaixo dos corpos dos outros”. Enquanto empilhava os corpos e pedaços dos companheiros de classe ele compreendeu que a propaganda sobre como o Japão estava lutando para atingir a paz era uma mentira. Os adultos não são dignos de confiança. Veja o depoimento completo aqui.
Lá vai trailer e imagens:
Pior. Excursão. Ever.
Êêê Japão… até um vídeo explicativo de uma competição para se matar precisa ser kawaii…
Nada como um pouco de charme feminino pra fazer a rapaziada baixar a guarda. Fatality!
Não podia faltar o nerd hacker que logo, logo consegue mandar um vírus no sistema de segurança da ilha.
Battle Royale tem uma forte atmosfera de decadência, em grande parte pelas estruturas desertas pela tendência de Kitano de continuar com alguns aspectos da rotina, como ao liderar exercícios de frente para um pátio vazio.
Professor Kitano tem um gosto artístico… excênctrico.

