Tóquio Proibida – por Jake Adelstein
Um livro que vai muito além do exotismo do crime e da yakuza para se tornar um retrato autobiográfico e do que fica por debaixo do tapete da sociedade japonesa
Tóquio Proibida é o relato autobiográfico do norte-americano Jake Adelstein, que foi para o Japão querendo ser monge e terminou sendo jornalista. O livro acompanha a carreira de Adelstein conforme ele ingressa no jornalismo nipônico, passa a cobrir e até se deslumbrar com o universo da máfia japonesa – os yakuzas – até o momento que o deslumbramento se transforma em terror.
Se existe um povo que gosta de ler jornal no mundo, é o japonês. Para botar as coisas em perspectiva: o Japão tem uma população menor que a brasileira, mas enquanto os nossos maiores jornais como Folha de S.Paulo e Estadão brigam para manter tiragens entre 200 e 300 mil exemplares, só o Yomiuri Shinbum no qual o autor trabalhou tem tiragem de mais de 10 milhões exemplares por dia! E com duas edições diárias, uma matutina e outra vespertina!
Antes de se embrenhar na tal “viagem perigosa pelo submundo japonês” conforme promete a capa, o livro já é fascinante por mostrar os bastidores desses jornais nipônicos durante os anos 1990 e 2000. São redações perpetuamente cobertas por névoa de cigarros, um rígido sistema de hierarquia entre repórteres novatos e veteranos, uma sala de descanso cheia de revistas pornográficas e até um banheiro com ducha para as jornadas de 80 horas semanais.
O autor aborda de forma madura e informativa a indústria do sexo, prostituição e fantasia no Japão, deixando de lado a postura tão comum no ocidente de apenas torcer o nariz para as doideras dos japoneses e trazer explicações culturais e até legislativas. Adelstein tem um precioso olhar para detalhes, uma boa dose de ironia e está em uma posição privilegiada para captar tais detalhes. Japonês o bastante para enxergar o país real, estrangeiro o bastante para se surpreender com as coisas. E o autor não se faz de coitado em nenhum momento, mesmo quando se responsabiliza pelo quanto algumas de suas escolhas custaram a outros.
Mas talvez o que mais tenha gostado de Tóquio Proibida seja como o livro se desenvolve e transforma as expectativas do leitor. Claro que existem trechos que mais parecem Versão Japonesa de filme do Scorsese – completo com vilão yakuza que alimenta aos cães os corpos de desafetos –, mas a obra tem momentos de humor legítimo, crítica social, intriga política, tensão e medo. Mais do que a história, acompanhamos as mudanças no próprio Adelstein, que se embrutece, perde idealismos e companheiros queridos depois de mais de uma década dançando com o Diabo.
Tradução sem percalços. Agradeço aos comparsas de trabalho por terem me dado o livro de aniversário.
gostei: história e autor se desenvolvem; boa tradução; vai do engraçado ao tenso; e mais coisa demais pra caber aqui
não gostei: sem reclamações
idioma: português editora: companhia das letras ISBN: 9788535918472


Quando me falaram sobre este livro jurei que não colocaria meus olhos nele. Depois de ler seu comentário mudei de ideia.
Vou procurar por ele.a pela dica
Obrigad