Imagem: Detalhe de Der Bücherworm (1850); de Carl Spitzweg
O ano de 2011 da Taverna Fim do Mundo teve 13 resenhas, poucas em comparação a anos anteriores. Não foi um ano com menos leituras, creio que até ultrapassei marcas passadas, mas projetos paralelos impediram o taverneiro de dedicar mais tempo à esta ilustre Casa.
O taverneiro, portanto, se reserva o direito de escolher apenas 3 livros mais marcantes ao invés dos 10 de costume. No entanto, cada um deles é excelente e não deve em nada aos favoritos de anos anteriores. Segue a relação abaixo:
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3 – A Guerra de Alan – de Emmanuel Guibert
As lembranças de um veterano da Segunda Guerra transpassada aos quadrinhos, porém dois pontos fazem toda a diferença entre A Guerra de Alan de obras semelhantes. A primeira é como pouquíssimo se fala de guerra no final das contas, já que Alan Ingram Scope só atirou uma vez em combate e nem sabe se acertou alguma coisa, mas em compensação se revela um observador minucioso das pessoas e pequenos detalhes de sua vida. O segundo é a ênfase do quadrinista Emmanuel Guibert em lembrar não os fatos históricos, mas como a guerra e os anos seguintes sobreviveram na memória de Alan, inclusive no estilo dos traços. O resultado é um tom diferente do heróico ou de relatos de atrocidades, e sim a sensação de se esticar o pescoço e enxergar com rara intimidade a trajetória de uma vida não menos fascinante.
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2 – Hyperion – de Dan Simmons
Uma exímia recontrução do formato de contos interligados do clássico Os Contos de Canterbury aplicado à ficção científica. Mas Hyperion vai muito além desse artifício devido à qualidade das histórias, que mudam de formato de acordo com o personagem que as narra e cada uma revela um pouco mais de um mistério envolvendo paradoxos temporais, cultos exóticos e uma intrigante criatura que parece ser capaz de se mover à vontade por tempo e espaço e que mata sem aparente explicação. O autor Dan Simmons é um grande amante da literatura clássica, e a forma como ele aplica essa profundidade narrativa ao sci fi faz a diferença entre Hyperion ser mais um livro de capa e espada no espaço, um livro consegue trazer meditações profundas junto de suspense e momentos de ação.
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| 1 – Tóquio Proibida – por Jake Adelstein
Nos últimos anos lí diversos livros excelentes de não-ficção, mas nenhum foi tão fascinante quanto Tóquio Proibida. Escrito pelo jornalista norte-americano radicado no Japão Jake Adelstein, a obra é um retrato fascinante não apenas do submundo criminal japonês, mas também do jornalismo e da cultura nipônica. Adelstein tem um olhar privilegiado para essa análise, sendo japonês o bastante para compreender o que vê, mas estrangeiro o suficiente para apreciar a bizarrice que só o Japão pode criar. Ajuda o fato de que o autor tem um olhar muito apurado para suas descrições e excelente capacidade narrativa para interligá-las, em uma história que evolui conforme a própria visão do autor vai indo do fascínio com os yakuzas ao horror de conhecer em primeira mão os perigos da máfia japonesa.
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Não tinha dúvidas de que “Tóquio Proibida ” ficaria no topo da lista…rs…
Bacana.