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The Gods Themselves – de Isaac Asimov

19/01/2012

O maior defeito desse clássico da ficção científica é divergir do estilo usual de Asimov, mas esse também é a sua maior virtude

GodsThemselvesThe

Para um escritor de ficção científica, Asimov é notório por ter poucas histórias com alienígenas e se concentrar mais em robôs. Mas quando escreve sobre aliens, como em The Gods Themselves, eles são nada menos que amebas de três sexos – e uma delas ainda é “gay” – com direito a masturbação desenfreada e orgias minuciosamente descritas pelo autor.

O livro traz três histórias que giram em torno da descoberta de uma tecnologia que permite à humanidade criar energia limpa, renovável e em escala praticamente ilimitada; que envolve a troca de matéria entre o nosso universo e outro paralelo com regras físicas diferentes. A primeira trata da descoberta do tal processo – se é que a palavra “descoberta” pode ser usada aqui, já que ele é iniciado pelas amebas conscientes do tal universo paralelo.

Essa narrativa inicial é mais expositiva, lidando  com as brigas de ego entre os cientistas pelo reconhecimento das “bombas” que geram a energia e depois em tentar mostrar que elas podem ter consequências catastróficas. Talvez seja a parte que mais se aproxima do estilo tradicional de Asimov: diálogos científicos entre personagens que francamente não possuem muita distinção entre si nos diálogos.

A segunda parte é ambientada no mundo das “amebas”, palavra que uso aqui na falta de uma melhor descrição. Esse trecho é praticamente irreconhecível do Asimov tradicional, lembrando autores mais, digamos, psicodélicos da narrativa especulativa. Achei um trecho de grande criatividade, com personagens de surpreendente profundidade humana – muito mais do que os seres humanos -, tratando de temas como família, amor e dever conforme uma ameba descobre que as bombas podem ter consequências desastrosas. Além de trechos inadvertidamente cômicos como o sexo das amebas.

A terceira parte retorna ao nosso bom e velho universo, mas na lua. A história agora se centra no relacionamento de um físico terráqueo e uma nativa da lua, e oferece um meio termo entre os personagens mais estáticos da primeira parte e os complexos da segunda.

É curioso que The Gods Themselves não é apreciado por muitos fãs de Asimov, devido ao estilo diferente de seu usual ou até críticas sobre o discutível conteúdo científico, entre os amantes do sci fi “hard”. O próprio Asimov disse em uma entrevista que esse  foi um dos trechos de sua obra que ele escreveu mais livremente. Para mim, o tom distinto do estilo mais burocrático do autor fez valer o livro para mim mais do que clássicos de Asimov como Fundação.

gostei: visão criativa de uma sociedade verdadeiramente alienígena

não gostei: primeira parte peca por personagens pouco inspirados

idioma: inglês editora: bantam books ISBN: 9780553288100

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